sábado, 9 de outubro de 2010

A PROSTITUIÇÃO NA GRÉCIA ANTIGA

Participante num banquete e uma tocadora de flauta


A prostituição era uma componente da vida cotidiana dos Gregos antigos. Nas cidades gregas mais importantes, e em particular nos portos, empregava uma parte não negligenciável da população, representando uma actividade económica de relevo. A prostituição não era clandestina: as cidades não a puniam e os bordéis trabalhavam à vista da população.

Em Atenas era atribuída a Sólon a criação de bordéis estatais com preços regulados. A prostituição envolvia de forma desigual os sexos: mulheres de todas as idades e jovens do sexo masculino prostituíam-se para uma clientela maioritariamente masculina.

Prostituição feminina
Uma passagem do Contra Neera, obra apócrifa atribuída a Demóstenes, coloca as seguintes palavras na boca do famoso orador ateniense: "Temos cortesãs para nos dar prazer; temos concubinas para com elas coabitarmos diariamente; temos esposas com o propósito de termos filhos legítimos e de termos uma guardiã fiel de tudo o que se refere à casa". Mesmo admitindo que a realidade não correspondesse a esta versão caricatural, não deixa de ser claro que os gregos não reprovavam o recurso à prostituição.

Simultaneamente as leis censuravam severamente as relações com uma mulher livre fora do contexto do casamento, pois esperava-se destas a castidade. Em caso de adultério, o marido enganado tinha o direito de matar o ofensor, caso o apanhasse em flagrante delito; aplicava-se o mesmo em caso de violação. A idade média de casamento para os homens era aos trinta anos, pelo que o jovem ateniense que desejasse manter relações sexuais não teria outro recurso senão recorrer à prostituição.

A existência de uma prostituição feminina destinada às mulheres encontra-se pouco documentada. No Banquete de Platão, Aristófanes menciona as ἑταιρίστριαι / hetairístriai no seu famoso mito sobre o Amor: "Todas as mulheres que são o corte de uma mulher não dirigem a sua atenção aos homens: elas preferem as mulheres e daqui provem as hetairístriai". O significado desta palavra é obscuro, sendo traduzível pelo moderno conceito de lésbica ou então como cortesã. Luciano de Samósata refere-se a estas no Diálogo das Cortesãs, mas é possível que seja apenas uma alusão à passagem da obra de Platão.

Pornai
As prostitutas da Grécia Antiga podem ser enquadradas em várias categorias. Na parte inferior da escala encontravam-se as πόρναι/pornai, palavra que deriva de πέρνημι/pérnêmi "vender". Estas mulheres eram em geral escravas, propriedade de um πορνοϐοσκός / pornoboskós, isto é, de um proxeneta, que retirava para si uma quantia do dinheiro por elas ganho. O dono destas prostitutas poderia ser um cidadão, pois trata-se de uma forma de rendimento igual a qualquer outra. Teofrasto, na obra Caracteres (VI, 5), cita o proxeneta na lista de profissões correntes, onde se incluem o dono de uma hospedaria e o colector de impostos. O dono poderia também ser um ou uma estrangeira (meteco).

Na Época Clássica as prostitutas são escravas de origem bárbara. Durante a Época Helenística juntam-se a estas jovens abandonadas pelo pai, consideradas como escravas até prova em contrário. As prostitutas trabalhavam em bordéis, geralmente situados em zonas da cidade associadas à actividade, como o Pireu (porto de Atenas) ou o Kerameikos. A sua clientela era composta por marinheiros e cidadãos pobres.

Nesta categoria também se enquadram as mulheres que trabalhavam nos bordéis estatais de Atenas. Segundo Ateneu de Naucrátis, citando o autor cómico Filémon e Nicandro de Cólofon, foi Sólon quem "preocupado em acalmar os ardores dos jovens (...) tomou a iniciativa de abrir casas de passe e de ali instalar mulheres compradas". O mesmo Sólon teria mandado erguer com dinheiro taxado à actividade da prostituição o templo de Afrodite Pandemos, "Afrodite do povo". Embora estes relatos possuam uma veracidade duvidosa, não deixa de ser revelador que em Atenas se considerava a prostituição como parte da democracia.

Cortesã e o seu cliente


Um grau acima das pornai encontravam-se as prostitutas independentes que trabalhavam nas ruas. Para além de mostrarem os seus encantos directamente aos clientes, estas mulheres recorriam a verdeiras técnicas publicitárias, usando umas sandálias especiais cuja sola estava preparada para deixar inscrito no solo ΑΚΟΛΟΥΘΙ / AKOLOUTHI, "segue-me". Estas prostitutas utilizavam também uma maquilhagem garrida.

Estas mulheres eram de origem diversa: mulheres estrangeiras que não encontravam emprego na cidade a que tinham chegado, viúvas pobres, antigas pornai que tinham adquirido a sua liberdade (mas que tinha que pagá-la). Em Atenas estavam sujeitas a uma taxa e tinham que ser registadas.

Podem ser incluídas nesta categoria as músicas e dançarinas que trabalhavam nos banquetes. Aristóteles, na sua Constituição dos Atenienses, menciona entre as atribuições específicas dos dez astinomos encontrava-se o não permitir que as tocadoras de flauta, de lira e de cítara sejam alugadas por mais de dois dracmas por noite. Os serviços sexuais faziam parte da prestação dos serviços, tendo os preços tido uma tendência para aumentar, apesar do controlo dos astinomos.

As hetairas
As hetairas, ou heteras, encontravam-se no mais alto grau das prostitutas da Grécia Antiga. Ao contrário das outras, não se limitavam a oferecer serviços sexuais e não trabalhavam "por peça". As hetairas eram antes acompanhantes, em certa medida comparáveis às gueixas: possuíam uma boa educação que lhes permitia dialogar com figuras cultivadas. As hetairas eram independentes e poderiam gerir os seus próprios bens.

Uma das hetairas mais famosas foi Aspásia, amante de Péricles. Originária de Mileto, sendo portanto uma estrangeira em Atenas, Aspasia conviveu com Sófocles, Fídias e com Sócrates e os seus discípulos. Plutarco (Vida de Péricles, XXIV, 2) refere-se a ela como uma personalidade detentora de poder, que teve sob a sua rédea aos homens políticos mais importantes.

Para além de Aspásia, conhecem-se outras hetairas da Época Clássica, como Teodota, companheira de Alcibíades, com a qual Sócrates dialoga nos Memóraveis (III, 11, 4); Neera, tema de um discuro do Pseudo-Demóstenes; e Friné, modelo da Afrodite de Cnido, obra-prima do escultor Praxíteles, da qual foi amante, tendo também mantido uma relação com Hipérides, orador que a defendeu quando foi acusada de impudícia.


Prostituição sagrada
A Grécia não conheceu na mesma escala o fenómeno da prostituição sagrada que existiu nas civilizações do Próximo Oriente. Os únicos casos conhecidos referem-se a franjas remotas do mundo grego (Sicília, Chipre, reino do Ponto e Capadócia) e a cidade de Corinto cujo templo de Afrodite albergava um número significativo de servidores pelo menos desde a Época Clássica. Em 464 a.C., um homem chamado Xenofonte, cidadão de Corinto vencedor das provas de corrida e pentatlo nos Jogos Olímpicos, dedicou a Afrodite cem moças em sinal de agradecimento. Durante a era romana, Estrabão refere que este templo possuía mais de cem prostitutas sagradas.

Esparta
De todas as cidades da Grécia Antiga, Esparta era conhecida por não abrigar nenhuma porné. Plutarco (Vida de Licurgo, IX, 6) explica o fenómeno pela ausência de metais preciosos e de uma verdadeira moeda - Esparta utilizava uma moeda de ferro que não era reconhecida em nenhum outro sítio - razões pelas quais nenhum proxeneta tinha interesse em ali se instalar. A única evidência que parece contradizer a inexistência da prostituição refere-se a um vaso do século VI a.C. que mostra mulheres a tocar o aulos (flauta) num banquete. No entanto, julga-se tratar-se da reprodução de um tema iconográfico e não da representação da realidade espartana da época. A presença de elementos como um demónio alado, frutas, plantas e de um altar sugerem que pode tratar-se de um banquete em honra de umas divindades da fertilidade, como Ártemis Órtia ou Apolo Jacinto.

Contudo, durante a Época Clássica Esparta conheceu as hetairas. Ateneu refere as cortesãs com as quais Alcibíades se encontrou durante o seu exílio na cidade (415-414 a.C.).

A partir do século III a.C., quando grandes quantidades de moeda estrangeira circulam na Lacónia, Esparta enquadra-se na norma das outras cidades gregas em matéria de prostituição. Na Época helenística Polémon de Atenas descreve ao retrato da célebre hetaira Cotina e à vaca de bronze por si dedicada.


A condição das prostitutas é difícil de avaliar; pelo simples facto de serem mulheres, já se encontravam relegadas a uma posição inferior na sociedade grega. Não se conhecem testemunhos directos sobre as suas vidas nem descrições dos bórdeis onde trabalhavam. É muito provável que os bórdeis da Grécia fossem semelhantes aos de Roma, descritos pelos escritores e preservados em locais como Pompeia: locais escuros, estreitos e malcheirosos. Um dos termos correntes entre os Gregos para designar uma prostituta era χαμαιτυπής / khamaitypếs, o que significa "que toca a terra", sugerindo que a prestação do serviço tinha lugar no chão.

Alguns autores colocam as prostitutas a falarem de si mesmas nas suas obras. É o Luciano de Samósata no Diálogos das Cortesãs e Alcifrón nas suas cartas, mas importa ter presente que se tratam de obras de ficção. As prostitutas apresentadas nestas obras são independentes ou hetairas, não se referindo às prostitutas escravas, a não ser para considerá-las como fonte de lucro. Os textos revelam claramente que as prostitutas eram censuradas pela natureza mercantil da actividade que exerciam. Para um grego uma pessoa que se prostituia, fosse mulher ou homem, o fazia por necessidade económica ou por gosto pelo lucro. A ganância das prostitutas é assim um tema recorrente na comédia grega. Deve ser referido que em Atenas elas eram as únicas mulheres a lidar com dinheiro, o que provavelmente provocava o ressentimento dos homens. Outra explicação possível para este suposto gosto pela ganância relaciona-se com a curta duração da carreira de prostituta: para poderem guardar algum dinheiro para a velhice tornava-se conveniente acumular o máximo de dinheiro em pouco tempo.

Os tratados de medicina fornecem um olhar, se bem que parcial e incompleto, sobre a vida quotidiana das prostitutas. Para as prostitutas escravas tornava-se necessário a evitar a todo o custo a gravidez. Os métodos contraceptivos usados pelos Gregos são menos conhecidos que os utilizados pelos Romanos. No entanto, num tratado atribuído a Hipócrates, descreve-se o caso de uma dançarina "que tinha por hábito ir com os homens", à qual recomenda saltar para desta forma fazer sair o esperma, evitando o risco de gravidez. É também provável que as pornai recorressem ao aborto e ao infanticídio por exposição.

A cerâmica grega permite igualmente conhecer a vida das prostitutas. A representação das prostitutas pode ser dividida em quatro categorias: cenas de banquete, cenas de actividade sexual, cenas de satisfação de necessidades fisiológicas e cenas de maus-tratos. Nas cenas de satisfação das necessidades fisiológicas é frequente que a prostituta seja retratada com um corpo pouco gracioso, ou seja, com peito descaído e adiposidades. Nas cenas de relações sexuais, reconhece-se a presença de uma prostituta pela presença de uma bolsa. A posição sexual mais representada corresponde à mulher sendo penetrada encontrando-se de joelhos, o que pode corresponder a penetração vaginal ou anal. O sexo anal era considerado degradante e aparentemente esta posição era descrita como pouco agradável para a mulher. Alguns vasos mostram cenas nas quais as prostitutas são ameaçadas com com um pau ou uma sandália a aceitar realizar actos considerados degradantes, como a prática do sexo oral e sexo anal.

Apesar das hetarias serem as mulheres mais livres da Grécia, deve ser referido que muitas delas desejavam tornarem-se respeitadas pela sociedade e encontrar um marido.

Prostitutas na literatura
No tempo da Comédia Nova as prostitutas, junto com os escravos, tornaram-se verdadeiras estrelas das comédias. Isto pode ser explicado pelo ênfase dado pela Comédia Nova a aspectos da vida privada e quotidiana, por oposição aos temas políticos tratados pela Comédia Antiga.

Na obra Amores Ovídio afirma: "Enquanto os escravos forem falsos, os pais severos, as coscuvilheiras pérfidas e as meretrizes fáceis, Menandro viverá". No teatro de Menandro, a prostituta poderia ser uma amiga de infância do protagonista, que entrou no mundo da prostituição depois de ter sido abandonada ou raptada por piratas; reconhecida pelos pais, abandona o mundo da prostituição para casar.



A prostituição masculina é cada vez mais recorrente em diversas regiões do mundo, tanto em países desenvolvidos como a Espanha, onde por vezes os prostitutos, comumente chamados de gigolôs, frequentemente vêm de países sub-desenvolvidos ou em desenvolvimento, como o Brasil,[1] até países africanos, onde mulheres e homens europeus praticantes de turismo sexual se tornam seus principais clientes por serem mais baratos que os imigrantes ilegais que atuam na Europa.

História
A história da prostituição masculina remonta aos primórdios da prostituição. Mesmo a Grécia Antiga possuia também uma grande quantidade de πόρνοι / pórnoi, prostitutos. Uma parte deles trabalhava para uma clientela feminina, encontrando-se atestada a existência de gigolos desde a Época Clássica. Na comédia Pluto, Aristófanes coloca em cena uma mulher de idade avançada que gastou todo o seu dinheiro num amante que agora a rejeita. Contudo, a maioria dos prostitutos trabalhava para uma clientela masculina.

Prostituição e pederastia
Ao contrário da prostituição feminina, que envolvia mulheres de todas as idades, a prostituição masculina encontra-se praticamente confinada ao grupo dos adolescentes.

O período durante o qual os adolescentes eram considerados desejáveis estendia-se entre a puberdade e o aparecimento da barba, constituindo a ausência de pêlos um elemento de erotismo entre os gregos. São mesmo conhecidos casos de homens que tinham como amantes homens mais jovens que se mantinham depilados.

Da mesma maneira que acontecia com a versão feminina, a prostituição masculina não era para os gregos objecto de escândalo. Os bordéis de rapazes existiam não apenas nas zonas do Piréu, Keramaikos, no monte Licabeto, mas um pouco por toda a Atenas. Um dos mais célebres destes jovens prostitutos é sem dúvida Fédon de Élis. Feito escravo durante a tomada da sua cidade, o jovem trabalhou num bordel até que Sócrates o conheceu, tendo o filósofo comprado a sua liberdade. O jovem tornou-se seu discípulo, tendo o seu nome sido atribuído a dos diálogos de Platão, o Fédon que narra os instantes finais da vida de Sócrates. Os prostitutos masculinos encontravam-se também sujeitos ao pagamento de uma taxa.

Prostituição e cidadania
A existência de uma prostituição masculina em larga escala revela que os gostos pederásticos não estavam restritos a determinada classe social. Os cidadãos que não tinham tempo ou disponibilidade para seguir os rituais da pederastia (observar os jovens no ginásio, fazer a corte, oferecer presentes), poderiam recorrer aos prostitutos, que à semelhança das prostitutas encontravam-se protegidos pela lei contra as agressões físicas. Outra razão que explica o recurso à prostituição relaciona-se com os tabus sexuais: os gregos consideravam a prática do sexo oral como um acto degradante. Assim, numa relação pederástica o erastés (amante mais velho) não poderia pedir ao erómenos que praticasse este acto, reservado aos prostitutos.

Apesar do exercício da prostituição ser legal, era mesmo assim uma prática vergonhosa, encontrando-se associado aos escravos ou aos estrangeiros. Em Atenas tinha para um cidadão consequências políticas, nomeadamente a perda dos direitos cívicos (atimía). Na obra Contra Timarco, Ésquines defende-se dos ataques de Timarco com a acusação deste ter praticado a prostituição durante a juventude, devendo por isso ser excluído dos seus direitos políticos, como o de apresentar queixa contra alguém.

Preços
Tal como no caso das mulheres, os preços cobrados pelos serviços variam consideravelmente. Ateneu refere-se a um rapaz que oferecia os seus serviços por um óbulo, mas o valor é considerado demasiado baixo. Estratão de Sardes, autor de epigramas, refere uma transacção por cinco dracmas. Uma carta do Pseudo-Ésquines estima em 3000 dracmas o dinheiro ganho por um tal Melanopo, provavelmente durante toda a sua carreira.

Roma Antiga
Passando-se para o caso da Roma Antiga, a moralidade romana já tinha mudado no século IV, quando Amiano Marcelino critica amargamente os costumes sexuais dos taifali, uma tribo bárbara que habitava entre os Cárpatos e o Mar Negro, de que fazia parte a pederastia ao estilo grego.
Em 342 DC os imperadores Constantino II e Constâncio II introduziram legislação que castigava a homossexualidade passiva, possivelmente com a castração. Estas leis que foram ampliadas em 390 DC por Teodósio I, o Grande, condenando à fogueira todos os homossexuais passivos que se prostituiam em bordéis. Em 438 DC, a lei passou a abranger todos os homossexuais passivos, e em 533 DC Justiniano I passou a castigar todos os actos homossexuais com a castração e a fogueira.

http://pt.wikipedia.org

O TEATRO NA GRÉCIA ANTIGA



O teatro na Grécia antiga teve suas origens ligadas a Dionisio, divindade da vegetação, da fertilidade e da vinha, cujos rituais tinham um caráter orgiástico. Durante as celebrações em honra ao deus, em meio a procissões e com o auxílio de fantasias e máscaras, eram entoados cantos líricos, os ditirambos, que mais tarde evoluíram para a forma de representação plenamente cênica como a que hoje conhecemos através de peças consagradas.

Seu florescimento ocorreu entre 550 a.C. e 220 a.C., sendo cultivado em especial em Atenas, que neste período também conheceu seu esplendor, mas espalhou-se por toda a área de influência grega, desde a Ásia Menor até a Magna Grécia e o norte da África. Sua tradição foi depois herdada pelos romanos, que a levaram até as suas mais distantes províncias, e é uma referência fundamental na cultura do ocidente até os dias de hoje.

Evolução e características
Com o passar do tempo, as procissões dionisíacas foram ficando mais elaboradas, e surgiram os "diretores de coro", os organizadores das procissões, já que elas podiam reunir nas cidades até vinte mil pessoas. O primeiro diretor de coro e dramaturgo foi Téspis, convidado pelo tirano Pisístrato para dirigir a procissão de Atenas e vencedor do primeiro concurso dramático registrado. Téspis parece ter sido um elo importante na evolução final do ditirambo cantado em direção ao texto recitado e dialogado, criando a figura do "respondedor ao coro" (hypócrites) e a do personagem individualizado, o ator, em contraste ao coro, anônimo e coletivo. Com estas inovações, é considerado o pai da tragédia, mas possivelmente não tenha sido de fato o primeiro a usar diálogos. Sólon parece ter escrito poemas com esta característica, e os rapsodos que recitavam Homero também faziam uso da prosa dialogada.[1] Também parece ter introduzido um segundo personagem, além do protagonista, representando dois papéis na mesma peça através do uso de uma máscara com uma face na frente e outra na nuca. As máscaras tinham uma outra função, eminentemente prática, por possibilitarem às pessoas acompanhar a ação cénica pelas expressões que mostravam, quando a voz do ator não conseguia alcançar toda a platéia.

Outros autores que se destacaram nesta época são Choerilus, Pratinas e Phrynichus, cada qual introduzindo mudanças no estilo da representação. Destes, Phrynichus é o mais conhecido, vencedor de competições e autor de tragédias com temas explorados mais tarde na era dourada do teatro grego, como As Danaides, As Mulheres da Fenícia e Alceste, sendo o primeiro a introduzir personagens femininos. Foi ainda o primeiro a abordar um tema contemporâneo com a peça A Queda de Mileto, produzida em 493 a.C. e que arrancou lágrimas da platéia pelo choque que a conquista da cidade pelos persas provocara na sociedade ateniense. Mas ao contrário do que se poderia esperar, Heródoto conta que em vez de ser considerada um sucesso por sua eficiência dramática, a peça acarretou ao autor uma multa de mil dracmas por ter trazido à memória dos cidadãos uma calamidade tão infausta, que os havia abalado tão profundamente, e a peça foi proscrita para sempre.[2]

O coro era composto pelos narradores da história que, através de representação, canções e danças, relatavam as façanhas do personagem. Era o intermediário entre o ator e a platéia, e trazia os pensamentos e sentimentos à tona, além de pronunciar também a conclusão da peça. Também podia haver o corifeu, que era um representante do coro que se comunicava com a platéia.
Os atores do teatro grego eram todos homens, e interpretavam vários papéis durante o mesmo espectáculo. Na tragédia existiam três atores e na comédia quatro. Os atores utilizavam máscaras e fatos que poderiam ser pesados. Na tragédia os atores utilizavam uma túnica até aos pés, chamado quíton, e o coturno; na comédia usavam-se roupas próximas às utilizadas pelos cidadãos e calçavam-se sandálias.

O apogeu do teatro grego
Depois da queda de Atenas e sua destruição pelos persas em 480 a.C. a cidade foi reconstruída, e o teatro passou a desempenhar um papel ainda mais importante na cultura e no orgulho cívico locais. Com a evolução da forma e a introdução de enredos fictícios ou contemporâneos se estabilizaram dois gêneros principais, já plenamente cênicos: a tragédia e a comédia. Nas Grandes Dionísias três poetas concorriam, cada um com três tragédias e um drama satírico. Para além disso, apresentavam-se cinco comédias e 20 ditirambos.

As novidades desta fase são a introdução de um segundo ator, o deuteragonista, por Ésquilo, e depois um terceiro, o tritagonista, por Sófocles. O coro se formalizou e fixou com cerca de 4 a 8 pessoas, vestidas de negro, e o acompanhamento musical desenvolveu os primeiros sinais de cromatismo e polifonia na história da música do ocidente. Crátinos, por sua vez, foi o primeiro a levar a comédia a um alto nível de dignidade literária.

Helenismo
Com a derrota de Atenas na Guerra do Peloponeso sua influência declinou, a produção teatral decaiu e peças antigas voltaram aos palcos. Embora a tradição parecesse ter perdido vitalidade, o teatro continuou a ser cultivado até o período helenístico, quando o gênero de preferência passou da tragédia para a comédia, ora transformada em uma farsa cômica sobre assuntos prosaicos. O único autor importante do período é Menandro, e a Comédia Nova, como passou a ser chamada, teve grande influência na comédia romana de Plauto e Terêncio.


OS GÊNEROS:

A TRAGÉDIA
A tragédia é o gênero mais antigo, tendo surgido provavelmente em meados do século VI a.C. Os temas da tragédia eram oriundos da religião ou das sagas dos heróis, sendo raras as tragédias que se debruçavam sobre assuntos da época (um exemplo de passada que abordava temas contemporâneos foi Os Persas de Ésquilo). A maioria das tragédias retrata a queda de um herói, muitas vezes atribuída à sua arrogância (hybris).

A COMÉDIA
A comédia passou a integrar as Grandes Dionísias em 488 a.C., tendo tido portanto um reconhecimento meio século depois da tragédia. No ano de 440 a.C. a comédia foi também introduzida nas Leneias, outro festival em honra Dioniso no inverno. Na comédia o coro assumia uma importância maior que na tragédia e verificava-se uma maior interactividade com o público, já que os actores dialogavam com este.

Da Comédia Antiga apenas sobreviveram os trabalhos de Aristófanes, que se inspiram na vida de Atenas e que se caracterizam pela crítica aos governantes (Os Cavaleiros, Os Acarnenses), à educação dos sofistas (As Nuvens) e à guerra (Lisístrata). Um dos políticos mais criticados por Aristófanes foi Cléon, que teria levado Aristófanes aos tribunais por se sentir ofendido.

A Comédia Nova desenvolveu-se a partir da morte de Alexandre Magno em 323 a.C. até 260 a.C.. Teve em Menandro um de seus representantes. A política já não era um dos temas explorados, preferindo-se enredos que giravam em torno de identidades falsas, intrigas familiares e amorosas.


BUSTO DE EURÍPIDES, CÓPIA ROMANA DO ORIGINAL GREGO DO SÉC IV AC, MUSEU PIO CLEMENTINO


AUTORES
Embora sejam registrados muitos autores especialmente na época áurea do teatro grego, somente de quatro nos chegaram peças integrais, todos eles de Atenas: Ésquilo, Sófocles e Eurípedes na tragédia, e Aristófanes na comédia. Suas criações, e mais referências de fontes secundárias como Aristóteles, são a base para o conhecimento do teatro da Grécia Antiga.

Ésquilo (525 a 456 a.C.. aproximadamente)

Principal texto: Prometeu acorrentado.
Tema principal que tratava: contava fatos sobre os deuses e os mitos.
Sófocles (496 a 406 a.C. aproximadamente)

Principal texto: Édipo Rei.
Tema principal que tratava: as grandes figuras reais.
Eurípides (484 a 406 a.C.aproximadamente)

Principal texto: As troianas
Tema principal que tratava: dos renegados, dos vencidos (pai do drama ocidental)
Aristófanes (445 a.C.? – 386 a.C.) Dramaturgo grego considerado o maior representante da comédia grega clássica.




Um teatro grego típico com a designação de suas várias partes.

OS TEATROS
Os teatros (de theatron, "local onde se vê") surgiram a partir do século VI a.C.. Julga-se que antes disso as primeiras representações teatrais seriam realizadas em locais públicos como a ágora de Atenas.
Os teatros situavam-se ao ar livre, nos declives das encostas, locais que proporcionavam uma boa acústica. Inicialmente os bancos eram feitos de madeira, mas a partir do século IV a.C. passaram a ser construídos em pedra.

Para além a platéia distinguiam-se várias áreas no teatro. A orquestra era a área circular em terra batida ou com lajes de pedra situada no centro das bancadas, onde o coro realizava a sua interpretação. Julga-se que a orquestra teria de início uma forma quadrangular, como no Teatro de Tóricos. No centro da orquestra ficava a thymele, um altar em honra a Dioniso, que servia não só para oferecer sacrifícios, mas também como adereço. Em cada lado da orquestra existiam as entradas para o coro, os parodoi.

Detrás da orquestra estava a skenê, o cenário, estrutura cuja função inicial foi servir como local onde os actores trocavam de roupa, mas que passou também a representar a fachada de um palácio ou de um templo. Frente à skenê estava o proscenium, onde os actores representavam os papéis, se bem que estes também se deslocassem até à orquestra.

Dos teatros da Antiga Grécia alguns dos mais importantes são o Teatro de Epidauro, o Teatro de Dodona, o Odeon de Herodes Ático, o Teatro de Delfos, o Teatro de Segesta, o Teatro de Siracusa e o Teatro de Dionísio.
http://pt.wikipedia.org

ARTE NA GRÉCIA ANTIGA: PINTURA

Da pintura grega antiga não resta hoje mais do que reduzidos vestígios, e dela pouco se sabe com segurança. Isso não significa que não houve produção, ou que tenha sido elementar, ao contrário, fontes literárias da época atestam extenso e refinado cultivo de pintura em várias técnicas desde o período arcaico, com o desenvolvimento de várias escolas distintas, e com artistas que foram celebrados por seus contemporâneos e cuja fama chegou aos nossos dias, como Polignoto, Zeuxis e Apeles. Mas devido à fragilidade dos materiais quase tudo se perdeu, exceto alguns notáveis murais em tumbas dos séculos IV e III a.C., especialmente em Vergina, na Macedônia. Sobrevive, por outro lado, expressiva produção de pintura aplicada à decoração de objetos utilitários, como os vasos.

A produção de vasos decorados com figuras pretas, em forma de silhueta, associando motivos geométricos ou vegetalistas, foi iniciada em Corinto, no século VII a.C. Mais tarde, durante a época clássica, Atenas assumiu-se um dos principais centros exportadores destes objetos, definindo uma tipologia diferente, na qual as superfícies dos vasos se tornam pretas, sendo as figuras pintadas em dourado (ou, mais raramente, em vermelho).

Uma outra aplicação da pintura entre os gregos era na decoração da estatuária e da arquitetura. Até há pouco tempo não havia, por falta de conhecimentos, um consenso sobre a extensão desta prática, e este fato só recentemente vem recebendo maior divulgação entre o grande público. Entretanto, a partir de pesquisas recentes se sabe que a pintura de superfície na escultura e arquitetura era uma praxe disseminada, e um dado fundamental no estilo grego como um todo. Mestres escultores como Praxiteles deixaram registrado que só consideravam suas obras acabadas depois de recobertas com tinta, o que por certo lhes emprestava uma aparência muito diversa da que hoje mostram nos museus do mundo. Em 2004 a Gliptoteca de Munique organizou uma exposição itinerante, intitulada Bunte Götter (Os Deuses Coloridos), com réplicas de obras importantes decoradas segundo o que se descobriu sobre sua policromia, com resultados surpreendentes.

A pintura, na Grécia antiga, foi em geral associada a outras formas de arte, como a cerâmica, a estatuária e a arquitetura. Ao contrário do caso da pintura cerâmica, restam pouquíssimos exemplos de pintura mural ou de painel, e a maior parte do que se sabe sobre esta forma de expressão plástica deriva de fontes literárias antigas e algumas cópias romanas.

A história recorda apenas poucos nomes de pintores do período arcaico, como Cleantes de Corinto, Boularcos e Cimon, mas só podemos especular como teria sido a sua produção. Alguns vestígios da pintura daquele período são encontrados em murais de Ístmia, em métopes de Thermon e em algumas placas de madeira e cerâmica encontradas em Corinto e Atenas, e traem a influência da arte egípcia e asiática, mantendo uma similitude com as técnicas de pintura em vasos. A arte mural etrusca desta época deve muito à arte grega, mas mesmo desenvolvendo-se em linhas próprias é uma fonte de informação preciosa para o conhecimento da pintura grega arcaica.

Obras mais significativas só sobrevivem a partir do século V a.C., quando a pintura mural adquire independência da pintura cerâmica e abandona seu caráter eminentemente gráfico passando para um tratamento de fato pictórico das superfícies, com emprego de vivos efeitos de pincel, manchas de cor com gradações de tons e veladuras. Destacam-se os murais realizados em uma tumba de Paestum, na Itália, por um artista desconhecido, e hoje preservados no Museu Arqueológico de Paestum, revelando um bom conhecimento de anatomia e um desenho habilidoso, com olhos em perfil e elementos paisagísticos. Nesta fase outros artistas deixaram seu nome na memória dos pósteros, como Polignoto, o mais importante do período clássico, afamado pela boa caracterização fisionômica e vivacidade de seus retratos. Um vaso preservado no Louvre, ilustrando o massacre dos Nióbidas, talvez espelhe o seu estilo. Também tiveram notoriedade Mícon, irmão de Fídias, e Panaios, estes últimos produzindo em conjunto uma cena da batalha de Maratona. Agatarcos introduziu inovações na perspectiva e Apolodoro aperfeiçoou a realização das luzes e sombras.



O Rapto de Perséfone, de autor anônimo, na Pequena Tumba Real em Vergina, século IV a.C.
Mosaico que talvez seja uma reprodução de uma pintura de Folixeno, século IV a.C.Do século IV a.C. são importantes os murais da Pequena Tumba Real de Vergina, ou a Tumba de Perséfone, o mais antigo exemplo remanescente em bom estado de pintura mural de alto nível e em grande escala, sendo de especial interesse pela sua riqueza emocional e espontaneidade do desenho, já apontando para os desenvolvimentos do Helenismo. Aparece nesta época também a técnica de justaposição de pinceladas em cores diferentes para à distância obter-se um efeito cromático especial, numa técnica que tem afinidade com os princípios modernos do impressionismo e do pontilhismo - embora com efeito final diferente.

Dos artistas foram notáveis Zeuxis, Demétrios e Parrásios, e sobretudo Apeles, talvez o maior dos pintores da Grécia antiga, um artista de transição entre o classicismo e o helenismo, introdutor de inovações técnicas, autor de um tratado sobre pintura infelizmente perdido, e pintor oficial de Alexandre o Grande. Nada de sua produção chegou até nós, mas as descrições que foram feitas por Plínio e Pausânias influenciaram artistas até no Renascimento. Entretanto, parece que um painel encontrado em Pompéia seja uma cópia da Afrodite Anadiômene de Apeles.

Outra obra importante é a da Grande Tumba Real de Vergina, datada de 336-317 a.C., cuja fachada é decorada com uma grande cena de caça ao leão, com sutis gradações de cor e sombreado, num estilo que é diretamente devedor a Apeles. Em estilo semelhante é o grande mosaico mostrando o combate entre Alexandre e Dario, hoje no Museu Arqueológico Nacional de Nápoles, quase com certeza uma cópia muito fiel, ainda que em técnica diversa, de uma pintura de Folixeno de Erétria.

Em Alexandria se encontraram alguns remanescentes em bom estado de pinturas em estelas funerárias, datando dos séculos IV e III a.C., que evidenciam a evolução do estilo em direção a uma sofisticação na perspectiva, com sutil gradação de cores e linhas delicadas e fluentes. Outras pinturas de Pompéia e Herculano também podem ser interpretações bastante próximas do estilo pictórico helenístico, embora não se possa afirmar com certeza se são tão fiéis aos seus modelos gregos como ocorreu com a estatuária.

Acredita-se que este mural de Pompéia seja baseado em uma Afrodite pintada por Apeles




PINTURAS DE ESCULTURAS
Elemento importante no estilo da arte grega em todos os períodos era a pintura decorativa realizada sobre estatuária e arquitetura. Embora tal prática tenha sido por longo tempo ignorada pelos estudiosos, dada a escassez de relíquias, hoje se sabe que boa parte, senão a totalidade, da escultura grega recebia pigmentação, e diversos detalhes da arquitetura igualmente eram coloridos.

Ainda subsistem estátuas e monumentos com resíduos de pigmento, acreditados como acréscimos espúrios de épocas posteriores ou no máximo casos pontuais que não constituíam regra. Estudos recentes, contudo, desmentiram esta impressão e atestaram o largo uso deste tipo de intervenção decorativa, obrigado a uma revisão radical na apreciação moderna da arte grega antiga.
Reprodução moderna do sarcófago de Alexandre o Grande, com proposta de reconstituição da policromia original

Uma interessante exposição promovida pela Gliptoteca de Munique, intitulada Bunte Götter, e que itinerou por vários museus da Europa entre 2005 e 2007, mostrou reproduções de peças de vários períodos com tentativas de reconstrução da pigmentação, com resultados deveras surpreendentes.

AS ARTES PLÁSTICAS NA GRÉCIA ANTIGA

A principal característica das artes plásticas gregas está no fato de serem essencialmente públicas, pois era o Estado que patrocinava as obras como fontes, praças, templos, etc. Mesmo quando encomendadas por particulares, eram frequentemente expostas em locais públicos. Nas artes plásticas, evidencia-se a combinação do naturalismo (detalhes dos corpos, como, por exemplo, o vigor dos músculos) com a severidade e a regularidade do estilo.


ESCULTURA
Escultura da Grécia antiga é uma expressão de significado amplo, que a rigor poderia ser empregada para designar a produção escultórica desde a Pré-história até a Idade Média, mas que usualmente se refere às obras criadas na Grécia entre o período Dedálico (c.650-600 a.C.), quando a arte grega começou a formar um estilo próprio original, e a época do seu último florescimento importante na chamada era Helenística, que durou até cerca de 100 a.C., quando o país já estava sob domínio romano.

A escultura é uma das mais importantes expressões artísticas da cultura grega. Exerceu decisiva influência sobre a arte romana, inseminou uma grande variedade de culturas do norte da África, do Oriente Próximo e Oriente Médio, penetrou até a Índia durante a época de Alexandre, o Grande, definiu muitos dos principais parâmetros da arte da Renascença e do Neoclassicismo, e é uma referência das mais relevantes mesmo nos dias de hoje para toda a cultura do Ocidente.


Estatueta de guerreiro do século VIII a.C., Staatliche Antikensammlungen, Munique.


As raízes da cultura grega clássica podem ser estabelecidas no Período Geométrico (c. 900 - 700 a.C.), quando diversas transformações sociais importantes levaram à formação da cidade-estado, o núcleo social urbano onde nasceu a maior parte da arte subsequente. Desenvolve-se o alfabeto grego, o comércio se intensifica com a Ásia Menor e o sul da Itália e se fundam diversos templos. Desta fase sobrevive uma variedade de artefatos, entre cerâmicas, adornos, armas e estatuetas votivas de bronze e barro, mostrando formas altamente estilizadas, evidenciando uma artesania de considerável habilidade, mas não há traços de estatuária de grande porte.

A hipótese de que a estatuária de grandes dimensões evoluiu diretamente das estatuetas votivas tem poucos defensores, já que as peças mais antigas diferem radicalmente da produção do período Dedálico e sua seqüência. É possível que alguma inspiração tenha vindo da Síria, que mantinha na época algum contato com a Grécia e havia desenvolvido uma arte estatuária significativa, e permaneceu por algum tempo como um referencial para as regiões asiáticas da Grécia. O Egito é apontado como outra influência, mais importante para a Grécia européia. Registros informam que escultores de Samos aprenderam seu ofício em oficinas egípcias. O estilo hierático, impessoal e frontal dos egípcios tem similitude com as primeiras estátuas de grande porte produzidas na Grécia durante este período, já com um estilo caracteristicamente grego, do tipo dos kouroi e das korai, o que reforça a suposição. Mesmo com estas influências prováveis, a escultura grega é em boa parte uma criação original.

Kore dedálica chamada de Dama de Auxerre, c. 635 a.C., Louvre

O Período Dedálico (c.650-600 a.C.) foi assim denominado em homenagem a Dédalo, o herói mítico que é tido como inventor da arte da escultura. As características marcantes nesta fase, que mostrou grande homogeneidade, são a rígida frontalidade, o modelado achatado do corpo e o desenho simplificado da anatomia, que é antes uma idealização do que uma observação da natureza. O rosto é esquemático em forma triangular, com testa baixa, olhos e nariz grandes, e boca inexpressiva. As orelhas podiam ser omitidas ou tinham implantação perpendicular ao crânio, e o cabelo cai em grossas madeixas. As pernas são usualmente longas e a cintura é alta e estreita.


Kore dedálica chamada de Dama de Auxerre, c. 635 a.C., LouvreNo caso das estátuas femininas (kore, plural korai), elas aparecem com longas túnicas, mas nas masculinas (kouros, plural kouroi) a nudez é a regra. Estes dois tipos permaneceriam dominantes também ao longo de toda a fase Arcaica, junto com o da mulher vestida e sentada. Nos relevos, porém, aparecem maior variedade de posições, figuras em grupos, seres mitológicos e animais. Para a representação do movimento nos relevos é adotada uma fórmula similar à usada nas pinturas de vasos do Período Geométrico, com o peito e cabeça frontalizados, mas com a parte do corpo abaixo da cintura em perfil.

Ainda que aqueles três tipos principais tenha sido todos muito comuns, o kouros, com sua anatomia completamente exposta, assumiu uma importância superlativa para o desenvolvimento da escultura, já que a sociedade grega só viria a permitir a exposição do corpo feminino desnudo em torno do século IV a.C.. O tipo do kouros se define por uma figura masculina nua, jovem e imberbe, com a perna esquerda à frente e os braços caídos rigidamente junto ao corpo, com raras variações neste padrão. A koré está sempre vestida, também é uma jovem e tem os pés juntos, e sua postura tem um pouco mais de variedade do que a sua contraparte masculina, e seus braços podem pender ou se dobrar, cruzando sobre o peito, ou se apenas um deles se move, pode estar voltado para a frente. Os kouroi não eram produzidos meramente com fins estéticos, mas eram oferendas religiosas colocadas em santuários, marcavam a tumba de alguma personalidade ou eram monumentos públicos, e não representavam pessoas individualizadas, sendo antes a corporificação de algum ideal de beleza, honra, virtude, piedade ou sacrifício.

Kouros Anavyssos, c. 530 a.C., Museu Arqueológico Nacional de Atenas

O Período Arcaico (c. 600-500 a.C.) foi definido por uma progressiva urbanização da Grécia, com o crescimento do comércio e o estabelecimento das primeiras grandes cidades com sua aristocracia enriquecida. Com isso se desenvolve também a arquitetura, e com ela a decoração escultórica monumental, e o mármore desloca a cerâmica como o material de eleição, especialmente para as obras importantes. A cultura florescia nas cortes dos tiranos, e ali se cristalizou um corpo de conceitos éticos e educativos que teriam reflexo na arte: a paideia (παιδεία), significando um processo de educação completa e integral que almejava a formação de um cidadão exemplar apto para assumir qualquer função na sociedade, inclusive o governo supremo. A paideia envolvia conceitos correlatos como a aretê (ἀρετή), um conjunto de concepções a respeito da nobreza de caráter e aptidão física e militar; a kalokagathia (καλοκαγαθία), um ideal de equilíbrio perfeito entre as virtudes físicas e morais associando beleza com bondade, e a sophrosine (σωφροσύνη), um ideal de autocontrole, disciplina e moderação.

Tais conceitos são expressos na escultura através da desenvoltura técnica recentemente conquistada pelos artífices, e se torna aparente no porte majestoso e na atitude de inabalável confiança e altivez mostrada pelos kouroi deste período. Seu desenho ainda era resumido às feições essenciais, mas sinais de uma observação mais atenta da anatomia se mostravam no progressivo detalhamento da musculatura e da estrutura subjacente do esqueleto, com um modelado com maior profundidade e uma sugestão de movimento real. No caso das jovens, as korai, observa-se uma variedade maior de atitudes e nos padrões do drapeado das vestes. A frontalidade permanece como o cânone oficial, e desvios desta regra são raros e podem ser atribuídos a necessidades específicas da peça, como a cabeça em 3/4, no caso famoso do Cavaleiro Rampin, já que a cabeça do cavalo poderia impedir a visualização adequada do rosto do cavaleiro, ou quando a figura carrega algum objeto, como no Moscóforo do mesmo museu, ou quando se trata de uma esfinge a ser vista lateralmente, quando a posição da cabeça pode ser encontrada em ângulo reto em relação ao corpo.

Neste período percebe-se uma divisão em duas tendências estilísticas, uma ainda sob influência síria, com um centro produtor principal em Samos, e outra mais apegada ao estilo egípcio, com seu centro na Ática. Começam a ser registrados alguns nomes de escultores importantes, como Aristokles de Sidônia, Kanacos de Sikyona e Hegias de Atenas, aparece o chamado sorriso arcaico nas estátuas, e o corpo humano firma-se então definitivamente como objeto e assunto principal da arte grega. Um dos tipos principais de escultura, o kouros, era sempre nu, e no período Arcaico ele era ainda mais nu do que durante a fase Dedálica, quando muitas vezes o jovem portava um cinturão. Assim, os problemas de representação anatômica não mais poderiam ser ignorados, e nota-se maior atenção à observação do natural, embora as formas ainda devessem se encaixar no esquema geral idealizado.

Por volta do fim do século VI a.C. o detalhamento nas formas corporais havia chegado a um grau avançado, o esquema da frontalidade já não se adequava ao naturalismo anatômico conquistado, e as figuras adquirem movimento, embora ainda com certa rigidez. Nos relevos o progresso é evidenciado pelo surgimento da lateralização do tronco e da cabeça, na criação de grupos de figuras em sobreposição parcial, e no modelado que adquire maior profundidade. As figuras de monstros mitológicos se tornam mais raras e nos animais é privilegiado o cavalo, e em menor grau o leão e a esfinge. Também surgem os primeiros exemplos de escultura ornamental nos edifícios, tipificada pelos grupos instalados nos frontões dos templos, sendo os mais antigos os do templo de Ártemis em Corfu. Outro exemplo monumental, já com significativo avanço na flexibilização das figuras é a Gigantomaquia criada por Endoios para o frontão do templo Arcaico dedicado a Atena erguido na Acrópole de Atenas por volta de 525 a.C.

No Período Arcaico começa a difusão da estatuária grega pelas colônias na Magna Grécia e nas áreas orientais do Mediterrâneo, influenciando as culturas estrangeiras em contato com elas, como a etrusca, a cipriota, a fenícia e mesmo a síria, que antes havia inseminado a própria Grécia. Elementos do estilo Arcaico conheceram momentos de ressurgência até mesmo durante as fases Clássica e Helenística, e na arte romana algumas escolas demonstraram um apreciável interesse pelo arcaísmo em sínteses ecléticas.

Cópia moderna do Apolo do Templo de Zeus em Olímpia. O original está no Museu Arqueológico de Olímpia

Como transição entre o Período Arcaico e o Período Clássico está a fase conhecida como Período Severo (c.500-450 a.C.) justamente pelo seu repúdio ao decorativismo. A fundação de vários templos, favorecendo a aplicação dos novos conhecimentos anatômicos na estatuária pedimental e nos relevos, e mais a ascensão da burguesia urbana, a secularização dos costumes e a introdução da democracia em Atenas, levaram ao fim a cultura aristocrática epitomizada pelos kouroi, com um resultado visível na mudança importante no estilo e na função da estatuária, que abandona a uniformidade dos kouroi votivos para representar também os atletas vencedores dos Jogos, os líderes políticos e generais, e as várias divindades.


A arte é revolucionada com a introdução de concepções novas, que a libertam de seu utilitarismo e lhe conferem certa autonomia. Com uma civilização já em pleno florescimento, os gregos já se sentiam mais seguros e livres da pressão imediata da luta pela vida e se aprofundam na filosofia. Hauser afirma que nesta fase "o conhecimento prático dá lugar ao exame livre, meios de dominar a natureza passam a ser métodos de descobrir a verdade abstrata. E assim a arte, que começou por ser um mera servidora da magia e do ritual (…), torna-se até certo ponto uma atividade pura, autônoma, desinteressada, praticada pelo seu próprio valor e pela beleza que revela.".

Em linhas gerais esta fase se caracteriza por um progressivo incremento no dinamismo das figuras, os braços ganham em liberdade, o torso se flexibiliza e há maior detalhamento e suavização da anatomia. O modelado da cabeça se harmoniza com o do corpo, os detalhes são reduzidos a um mínimo com ênfase nos traços anatômicos principais, o sorriso arcaico tende a ser substituído por uma expressão séria e distante, e aparecem representações mais verossímeis da velhice, embora ainda exista grande idealismo nas formas. Nesta fase é formulado o chamado perfil grego, unindo a testa e o nariz em uma linha retilínea, e o bronze começa a se tornar um material de uso freqüente.

Indicativo dos progressos do período é o Efebo de Kritios, dos primeiros exemplos a mostrar uma sugestão do contrapposto, um movimento nas ancas que surge quando a figura se apóia em uma das pernas enquanto a outra se encontra em repouso. O mesmo desenvolvimento formal se nota nos relevos, com crescente complexidade das cenas e das formas anatômicas. Exemplo superior desta época é o conjunto escultórico do templo de Zeus em Olímpia, realizado por um artista desconhecido chamado Mestre de Olímpia e seus auxiliares. Neste grupo decorativo são encontradas pela primeira vez na arte grega características que seriam retomadas somente na fase Helenística bem mais tardia, como o extraordinário dinamismo nas cenas e expressões emocionais intensas. Outro exemplo de grande importância são as estátuas decorativas do Templo de Afaia, em Egina, hoje preservadas na Gliptoteca de Munique. Dentre os relevos se destaca o Relevo dos jogadores de bola, de c. 510 a.C., sendo um verdadeiro compêndio de anatomia e cinesiologia, com uma série de figuras em variadas posições.


Leocarés: Apolo Belvedere, c. 350-325 a.C.

PERÍODO CLÁSSICO

Uma rápida evolução na técnica e no estilo leva ao classicismo grego (c. 450-323 a.C.), período em que se realizam as mais importantes e seminais conquistas no terreno do naturalismo, ao mesmo tempo em que perduram uma série de convenções estritas a respeito de proporções e ordem, dando origem a uma síntese sem paralelos no mundo antigo e que até hoje permanece uma referência vital para a arte e cultura de grande parte do mundo..


Leocarés: Apolo Belvedere, c. 350-325 a.C.O primeiro grande centro produtor do classicismo é Atenas, acompanhando sua hegemonia e esplendor, construindo uma sociedade democrática - para os padrões da época - e que prezava a liberdade individual, favorecendo uma arte mundana. O interesse gradualmente se desloca do geral para o particular, do simples para o exuberante, e a representação anatômica chega a um estágio de grande verossimilhança, com maior estudo da musculatura do tronco e membros em detrimento da face, que perde em expressividade embora ganhe em semelhança e detalhamento, surgindo os primeiros retratos. Os panejamentos e mantos das vestes recebem atenção especial e adquirem variedade como complementos formais importantes para a figura humana, as posições são muito variadas, e as esculturas abandonam definitivamente a frontalidade para receberem acabamento por igual em todas as suas partes, de forma a poderem ser apreciadas de todos os ângulos.

Também começam a ser registradas as atividades de artistas que formariam importantes escolas e estabeleceriam padrões de proporções ainda empregados atualmente. O primeiro autor notável, vencendo definitivamente a rigidez reminiscente do período Arcaico, foi Míron, criador do célebre Discóbolo, onde as tensões do movimento são exploradas com maestria e realismo. A seguir vem Fídias, que levou a estatuária grega ao seu primeiro momento de real esplendor. Foi autor de estátuas colossais como o Zeus de Olímpia e a Atena Parthenos, imagens dotadas de grande majestade, das quais hoje subsistem infelizmente apenas cópias menores ou descrições. Mais dinâmicas são as esculturas do pedimento do Partenon. Outras obras atribuídas a ele ou à sua escola são o Apolo de Kassel e a Atena Lemnia. Dentre seus seguidores estão Alcamenes e Kresilas. Contemporâneo de Fídias foi Policleto, de fama igualmente vasta, criador de um cânone de proporções ideais do corpo humano que encontrou expressão magnífica em obras como o Doríforo, o Discóforo e o Diadúmeno.


Afrodite Braschi, uma das várias cópias conhecidas da Afrodite de Cnido, de Praxiteles, c. 345 a.C., Gliptoteca de MuniqueAtenas caiu em 404 a.C., no fim da Guerra do Peloponeso, e conseguiu contudo preservar sua influência cultural por mais algum tempo, mas instaura-se uma certa confusão política na Grécia e novos valores são introduzidos na sociedade, e o ideal aristocrático de vida e educação é posto em xeque pela burguesia que vinha enriquecendo mas era bem menos culta e baseava seu julgamento em critérios antes de tudo emocionais e estéticos. Assim prolifera uma arte que privilegia aspectos puramente plásticos e sensoriais, o retrato se populariza e a dissolução de diversos tabus possibilita a abordagem de temas antes vedados, como o nu feminino. O cidadão, enfim, assume a dianteira em relação ao Estado como o principal patrocinador da arte. Reflexo destas mudanças, que em arte definem o chamado baixo classicismo, ou classicismo tardio, é o deslocamento dos deuses mais antigos e austeros, como Hera e Atena, em favor dos olímpicos jovens e dinâmicos, como Apolo, Ártemis e Afrodite.

Eufranor adaptou o cânone de Policleto e representa a evolução da escultura grega em direção ao uma escola mais realista, sensual e delicada, de cariz mais humano e menos augusto e idealizante, que teria grandes expoentes em Praxiteles, Lísipo e Escopas já no século IV a.C., e que apontariam o caminho para o desenvolvimento do estágio helenizante a seguir. Praxiteles, o mais famoso deles, foi o primeiro a introduzir o nu feminino em escala natural com a sua Afrodite de Cnido, uma das criações mais influentes e celebradas do classicismo grego, definindo um cânone de proporções para a figura feminina. Hermes com o infante Dionísio e o Apolo Sauróctono são outras de suas obras conhecidas.

Lísipo, de longa carreira, chegou a ser o escultor predileto de Alexandre Magno, e introduziu, segundo Plínio, um novo cânone de proporções, com uma figura mais alongada, de cabeça menor, que seria importante no período do Helenismo. Seu Apoxiômenos é tido como o primeiro exemplo de escultura completamente onidirecional, ou seja, satisfatória em todos os ângulos em que é apreciada.[18] Seu discípulo Carés de Lindos foi o autor do célebre Colosso de Rodes, uma das Sete Maravilhas do mundo antigo. Escopas participou da decoração escultórica do Mausoléu de Halicarnasso, outra das Sete Maravilhas, e celebrizou-se entre seus contemporâneos pelo intenso dramatismo de suas figuras. Outro grande representante desta fase é Leocarés, tido como autor da Diana de Versalhes e do paradigmático Apolo Belvedere, considerado pelos neoclassicistas do século XIX a mais perfeita expressão do ideal de equilíbrio e majestade típicos do alto classicismo grego, influenciando gerações de artistas.

No campo da escultura funerária e nos relevos abandona-se o caráter impessoal e são retratados grupos familiares, bem como indivíduos isolados, de tocante sensibilidade, em atitude de luto sereno por seus parentes falecidos. São notáveis a Estela de Hegesos, de c. 410 a.C., os frisos do templo de Atena Niké na Acrópole de Atenas, a Estela do caçador, atribuída a Escopas, e a Estela de Dexileu, c. 394 a.C., hoje no Museu de Kerameikos.



Laocoonte e seus filhos, c. 200 a.C., Museus Vaticanos


PERÍODO HELENÍSTICO
A transição para o Período Helenístico (c. 323-27 a.C. ) ocorreu ao longo do século IV a.C., seguindo as conquistas de Alexandre Magno, que levou a arte grega até a Índia. Esta incursão pela Ásia fez com que numerosos artistas entrassem em contato com as culturas locais e delas recebessem influências, ganhando em diversidade de temas e formas de tratamento. Ao mesmo tempo se estabeleceram novos centros de produção, notadamente em Alexandria e Antióquia, além de Pérgamo. Neste período o centro de gravidade se desloca para o Oriente, e surge um estilo internacional que é uma fusão polimorfa de uma variedade de influências. Os artistas passam a viajar a trabalho para diversos locais incrementando o intercâmbio de conhecimentos e valores estéticos e culturais, e os filósofos sofistas e estóicos introduzem uma reformulação do antigo conceito de arete, já não mais baseada em privilégios de classe ou de nascimento e mais ligada a valores puramente humanos e racionais, refletido a sociedade profana, eclética e capitalista de então.


Laocoonte e seus filhos, c. 200 a.C., Museus VaticanosO Período Helenístico na escultura grega é dos mais complexos e menos compreendidos, em função da multiplicidade de influências que se cruzam e da ausência de um único centro difusor. Em seu início continua a grande tradição do auge do classicismo, criando obras perfeitamente modeladas em todos os ângulos, mas já estudando efeitos de transparência no vestuário, aproveitando os jogos de luz com finalidades estéticas e expressivas, e enfatizando a variedade de posturas e sentimentos, criando um repertório de formas inteiramente novo e que muitas vezes tinha um caráter historicista, resgatando elementos de períodos anteriores. Os escultores já não se sentiam obrigados a retratar o ideal. São introduzidos temas como o sofrimento, o sono, a morte e a velhice, que ofereciam formas e expressões ainda pouco exploradas.

Busca-se acima de tudo expressividade e "atmosfera", especialmente flagrantes nos retratos, onde mais que a exatidão da fisionomia é desejada a representação do caráter ou vida interior do personagem. Extraordinária na produção helenística é Maronis (ou A velha bêbada), com cópias em Munique e em Roma, que mostra sem reservas uma mulher envelhecida, cheia de rugas e com face contorcida, agarrada a um vaso de vinho. Outra obra impressionante é o Laocoonte, obra conjunta de Agesandro, Polidoro, e Atenodoro, envolvido em serpentes junto com seus filhos, num momento de desespero e com a musculatura em extremos de tensão.

Em torno da metade dessa fase Pérgamo se destaca dentre os novos centros produtores de escultura, com autores como Phyromachos, Niceratos, Epígonos e Xenócrates produzindo uma série de obras cuja expressividade e dinamismo poderiam ser chamados de "barrocos". Estas características encontrariam um ponto alto no grandioso Altar de Pérgamo, decorado com uma Gigantomaquia de 100 m de extensão. O estilo Pergamenho, contudo, não se confinou à cidade cujo nome emprestou, difundindo-se para toda a Ásia Menor, e tampouco em Pérgamo ele foi cultivado com exclusividade, havendo ali outras escolas mais classicistas. Por volta do século II a.C. outro forte elemento modificador vem de Roma, por constituir um novo e grande mercado consumidor de estatuária, com preferências próprias. Absorveram muito da tradição grega e por sua vez influenciaram-na em direção de uma recuperação do classicismo, mas introduzindo temas como crianças, animais e pessoas comuns.

Outro fator importante para a divulgação do estilo foi o grande crescimento nessa fase da demanda por estatuária, em virtude das numerosas cidades helenísticas que foram sendo fundadas no Egito, Síria e Anatólia, e que precisavam de imagens de deuses para o culto nos templos, ou de heróis para seus monumentos. Essa expansão no mercado deu lugar a certa padronização e alguma queda na qualidade geral, embora os grandes mestres continuassem a exercer o ofício com vigor e habilidade técnica impecável, como provam a Vitória de Samotrácia, a Vênus de Milo e o já mencionado Laocoonte, todas dos séculos II ou I a.C. De fato, comparando-se a habilidade técnica dos escultores clássicos com os helenistas, é obrigatório conceder a estes a primazia, mesmo que o valor estético de sua produção seja algumas vezes questionado. Mas eles conseguiram um maior entendimento da anatomia e resultados mais refinados no acabamento de superfícies, e estes conhecimentos mais profundos foram aplicados seletivamente e com agudo senso de adequação para cada tema abordado.
http://pt.wikipedia.org

A MÚSICA NA GRÉCIA ANTIGA

Origens e uso

A música entre os antigos gregos era um fenômeno de origem divina, e estava ligada à magia e à mitologia, havendo várias histórias míticas relacionadas à origem da música e suas capacidades e funções. Alguns instrumentos e modos era associados especificamente a certas divindades, como o aulos a Dionísio, e a kithara a Apolo. Além disso registros diversos indicam que a música era parte integral da percepção grega de como o seu povo teria vindo à existência e de que continuava a ser regido pelos deuses. Por exemplo, Anfião teria aprendido música com Hermes e teria construído Tebas através do poder do som; Orfeu podia tocar com tamanha doçura que até as feras quedavam absortas; Hermes teria inventado a lira, dada a Apolo em troca do gado que havia dele roubado. O próprio Apolo, depois assumindo o papel de Deus da Música e líder das Musas (das quais Euterpe tutelava a Música), é mencionado em competição com Mársias e Pã. Assim, estando presente em alguns de seus principais mitos, a música invariavelmente era usada nos ritos religiosos, nos Jogos Olímpicos e Pítios, nas festas cívicas, nas atividades de lazer e subsidiando outras formas de arte.

O grande teórico da música grega antiga foi Pitágoras, considerado o fundador de nosso conhecimento de harmonia musical - a relação física entre as diferentes freqüências sonoras (notas) e o efeito de suas combinações. Também foi ele o sistematizador da associação de cada modo com determinado estado de alma, imbuindo-os de uma ética especial. Por exemplo, o modo dórico era considerado capaz de induzir um estado (ethos) pacífico e positivo, ao passo que o modo frígio era considerado subjetivo e passional, uma sensibilidade hoje em grande parte perdida, mas que pode ser vagamente comparada ao efeito das modernas escalas maior, convencionalmente usada para produzir uma impressão animada e alegre, e menor, usada para descrever estados melancólicos ou introspectivos. Também a ele se deve a análise da música sob a ótica de uma matemática transcendental, relacionando-a à constituição íntima do universo, concebido como uma estrutura criada e sustentada através de relações numéricas perfeitas que produziam a chamada música das esferas, a qual, entretanto, só poderia ser inteligível através do pensamento superior. Daí a ligação da música com a filosofia e a conseqüente codificação de uma série de regras éticas para composição e execução musical, a fim de que a música humana ecoasse a ordem perfeita do cosmo.

A música grega mais antiga não deixou qualquer registro. As primeiras menções se encontram na era Homérica, quando já havia uma considerável cultura musical nacional em pleno florescimento, baseada principalmente na récita de poesia acompanhada com instrumentos, do qual o mais comum era a Fórminx, uma espécie de lira.

As descrições sugerem que a música grega era basicamente monódica, e no máximo heterofônica. É uma asserção geralmente aceita a de que a harmonia, como hoje é entendida - uma organização do tecido sonoro em camadas com várias notas soando simultâneas em acordes - é invenção mais recente, datando da Idade Média. Mesmo assim, alguns registros fazem crer que pelo menos em algumas ocasiões havia música realmente harmônica, ainda que isso fosse considerado uma técnica avançada e nem sempre adequada.

No século VI a.C. o coro passou a ter importante papel em eventos públicos, religiosos ou laicos, e a lírica coral se tornou um gênero autônomo, elaborando tipos definidos de composição para cada ocasião. Assim, eram entoados ditirambos em honra a Dionísio, peãs para Apolo, epitalâmios nos casamentos, trenodias nos funerais, partênios como canto de jovens, hinos em louvações variadas, e epínicos para os vencedores dos Jogos. Todas estas formas dependiam diretamente da estrutura e ritmo da poesia, e a origem do teatro grego está na evolução dos ditirambos cantados.

http://pt.wikipedia.org

A ARTE NA GRÉCIA ANTIGA

Por arte da Grécia antiga compreende-se as manifestações culturais de arte e arquitetura daquele país desde o início da Idade do Ferro (século XI a.C.) até o final do século I a.C. Antes disso (Idade do Bronze), a arte grega do continente e das ilhas (excetuando-se Creta, onde havia uma tradição diferente chamada arte minóica) é conhecida como arte micênica, e a arte grega mais tardia, chamada helenística, é considerada integrante da cultura do Império Romano (arte romana).

Os gregos, inicialmente um conjunto de tribos relativamente autônomas que apresentavam fatores culturais comuns, como a língua e a religião, instalaram-se no Peloponeso nos inícios do primeiro milênio antes de Cristo, dando início a uma das mais influentes culturas da Antiguidade.

Após a fase orientalizante (de 1100 a 650 a.C.), cujas manifestações artísticas foram inspiradas pela cultura mesopotâmica, a arte grega conheceu um primeiro momento de maturidade durante o período arcaico, que se prolongou até 475 a.C. Marcado pela expansão geográfica, pelo desenvolvimento econômico e pelo incremento das relações internacionais, assistiu-se nesta altura à definição dos fundamentos estéticos e formais que caracterizarão as posteriores produções artísticas gregas.

Após as guerras com os Persas, a arte grega adquiriu maior independência em relação às outras culturas mediterrânicas e expandiu-se para todas as suas colônias da Ásia Menor, da Sicília e de Itália (conjunto de territórios conhecidos por Magna Grécia).

Protagonizado pela cidade de Atenas, sob o forte patrocínio de Péricles, o último período artístico da Grécia, conhecido por Fase Clássica, estendeu-se desde 475 a.C. até 323 a.C., ano em que o macedônico Alexandre Magno conquistou as cidades-estados do Peloponeso.

As manifestações artísticas gregas, que conheceram grande unidade ideológica e morfológica, encontraram os seus alicerces numa filosofia antropocêntrica de sentido racionalista que inspirou as duas características fundamentais deste estilo: por um lado a dimensão humana e o interesse pela representação do homem e, por outro, a tendência para o idealismo traduzido na adoção de cânones ou regras fixas (análogas às leis da natureza) que definiam sistemas de proporções e de relações formais para todas as produções artísticas.

http://pt.wikipedia.org

IMAGENS DEUSA DEMÉTER




IMAGENS DEUSA INANA


IMAGENS DEUSA ARTEMIS

Statue of Artemis, 2nd Century, from Perge, Lycia, now in the Antalya Museum
Photo: Rosentha/SNC
Diana of Versailles, Roman Copy
(c.325 BCE) (Louvre, Paris)
Museum: Archaeological Museum, Istanbul Turkey
Date: ca. 1st century
Period: Hellenistic - Roman Imperial
Artemis of Versailles

IMAGENS DEUSA HÉCATE


Musei Vaticani, State of the Vatican City



IMAGENS BRUXA CIRCE


Circe by John William Waterhouse, 1849-1917. Oil on canvas; inscribed on the reverse of the canvas "Circe." 29 x 43 1/2 inches.

Circe transforms Odysseus's men into swine (1889)



IMAGENS DEUSA PERSÉFONE


Ratto di Proserpina - 1684-1686
di Luca Giordano (Napoli 1634-1705) di Luca Giordano (Nápoles 1634-1705)
Palazzo Medici-Riccardi – Firenze Palazzo Medici-Riccardi - Firenze



 Ratto di Proserpina - 1621-1622
di Gian Lorenzo Bernini (Napoli 1598-Roma 1680) di Gian Lorenzo Bernini (Nápoles 1598 Roma-1680)
Galleria Borghese - Roma Galleria Borghese - Roma

Sentada deusa, provavelmente, Perséfone, em seu trono no submundo
Severe style ca 480-60, found at Tarentum, Magna Graecia Grave ca estilo 480-60, encontrado em Tarento, Magna Grécia
Pergamon Museum - Berlin Museu de Pérgamo - Berlim

Pinax with Persephone and Hades on throne - V c. com Perséfone e Hades no trono - V c. BC BC
from Locri Epizefiri, Italy de Locri Epizefiri, Itália
Reggio Calabria - Museo Nazionale della Magna Grecia. Reggio Calabria - Museo Nazionale della Magna Grecia.
According to Porphyry De acordo com Porfírio , the cock was sacred to Persephone , O galo era sagrado para Perséfone
carrying a cock in her right hand. carregando um galo na sua mão direita.

Perséfone, por Lass Hein.


Perséfone: Grego Rainha do Submundo
 Donzela da Primavera, Deusa dos Mortos.
 Como o Kore solteira você estava atraído por uma flor de narciso
. e perdido muito longe de seus companheiros, é dito.
 Em seguida, um carro subia através de uma fenda na terra
and Hades abducted you to Tartarus Hades e sequestrado você Tártaro
to become Persephone, Queen of the underworld. para se tornar Perséfone, a rainha do submundo.

Hades forcefully fulfilled a secret promise by your father Zeus Hades com força cumpriu uma promessa secreta por seu pai Zeus
but your mother Demeter was angered and neglected her earthly duties. mas sua mãe Deméter se irritou e negligenciado os seus deveres terrenos.
The earth withered as Demeter searched far and wide with two torches, A terra secou como Deméter procurou por toda parte com duas tochas,
wandering the earth, stricken with grief. vagando pela terra, tomada de dor.
The plants wilted, animals bore no offspring As plantas murchas, os animais não tinha qualquer descendência
and death stalked mankind, forcing Zeus to eventually intervene. ea morte espreitava a humanidade, obrigando Zeus a intervir eventualmente.
But you have eaten a pomegranate's seed in Hades' realm Mas você tem comido uma semente de romã no "reino de Hades
and could not return entirely. e não podia voltar completamente.
You had to spent your time divided between the living and the dead, Você tinha que gastou o seu tempo dividido entre os vivos e os mortos,
two thirds of the year with Demeter and one third with Hades in Tartarus. dois terços do ano com Deméter e um terço com Hades, o Tártaro.
Birth and death, heaven and earth, spring and winter, yin and yang. Nascimento e morte e céu, terra e primavera, o inverno yin e yang.

If all that is told is true, you enjoyed